O que é?
A sigla DDA significa Distúrbio do Déficit de Atenção. Trata-se de um funcionamento mental caracterizado pela seguinte tríade de sintomas: desatenção, impulsividade e hiperatividade ou excesso de energia.
Qual a população atingida?
Aproximadamente 6% da população infantil apresenta este funcionamento mental diferenciado. Ele ocorre independentemente de etnia, níveis de escolaridade, graus de inteligência e condições sócio-econômicas.
No que tange o gênero, estudos recentes sugerem que a proporção de meninos para meninas seja de 2:1.
Entre as meninas predominam os sintomas de desatenção. Já entre meninos, predominam os sintomas de hiperatividade/impulsividade. A conseqüência desta diferença é que o DDA é mais facilmente percebido em crianças do sexo masculino, já que sua intensa agitação atrai mais atenção.
No sexo feminino, o problema pode passar desapercebido, causando atrasos no diagnóstico ou até mesmo que nunca seja feito. Além disso, não se sabe ainda ao certo se o DDA é realmente mais freqüente em meninos ou se é subdiagnosticado em meninas.
Durante a adolescência, algumas características do DDA podem ser exacerbadas, como a impulsividade, que, aliada aos conflitos próprios à idade, podem gerar rompantes de agressividade. A crescente dificuldade das tarefas escolares é agravada pela tendência à desorganização e à distração, em um momento em que os pais já não fazem tudo para o filho "crescidinho".
Sinais de alerta para o DDA em crianças e adolescentes
· Com freqüência deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares e outras;
· Com freqüência tem dificuldade em manter a atenção em tarefas e atividades lúdicas;
· Com freqüência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;
· Com freqüência não segue instruções e não termina tarefas (não por oposição ou incapacidade de compreender instruções);
· Com freqüência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;
· Com freqüência perde coisas necessárias para tarefas ou atividade (brinquedos, lápis, etc.);
· É facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa;
· Com freqüência apresenta esquecimento em atividades diárias;
· Com freqüência agita mãos e pés ou se remexe na cadeira;
· Com freqüência abandona sua carteira em sala de aula ou em outras situações em que se espera que permaneça sentada;
· Freqüentemente corre ou escala em demasia, mesmo quando é inapropriado ao local ou situação;
· Está freqüentemente "a mil" ou "a todo vapor";
· Com freqüência fala em demasia;
· Com freqüência responde precipitadamente antes de uma pergunta ter sido completada;
· Com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez;
· Freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos dos outros.
O que causa o DDA?
O DDA é causado por um mau funcionamento da neuroquímica cerebral. O mecanismo exato não foi descoberto ainda, mas estudos confirmam que há uma alteração metabólica principalmente nas regiões pré-frontal e pré-motora do cérebro.
Como a região frontal é a principal reguladora do comportamento humano, falhas no funcionamento bioquímico desta região levariam às alterações encontradas no DDA (desatenção, impulsividade e inquietação).
Outro aspecto é o forte componente hereditário do DDA. É comum a ocorrência de DDA em várias pessoas de uma mesma família.
*Dra. Ana Beatriz é médica psiquiatra, conferencista, escritora. Professora Honoris Causa da UniFMU (SP) e diretora das clínicas Medicina do Comportamento (RJ e SP).
Livros publicados: "Mentes Inquietas", "Mentes & Manias", "Mentes Insaciáveis: anorexia, bulimia e compulsão alimentar", "Sorria você está sendo filmado" e "Mentes com medo: da compreensão à superação".

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